Filhas herdam dívidas milionárias em SC após virarem sócias de empresas na infância
- 4 de mar.
- 2 min de leitura
Quase oito mil empresas em Santa Catarina têm pelo menos um sócio com menos de 18 anos, segundo dados da Junta Comercial do Estado. Embora a prática seja permitida por lei, ela acende um alerta para pais e responsáveis: menores de idade podem acabar vinculados a dívidas empresariais sem nunca terem participado de qualquer decisão sobre o negócio.
É o que aconteceu com a estrategista de marca Isabella Lehnen, de 28 anos, e com a gerente de projetos em Tecnologia da Informação (TI) Rafaella D’ávila, de 36. Ambas foram incluídas pelos pais como sócias ainda na infância e adolescência. Anos depois, descobriram que seus nomes estavam ligados a dívidas milionárias após a falência das empresas.
“Eu tinha cinco anos quando a empresa faliu”
Nascida em 1997, Isabella foi registrada como sócia antes mesmo de completar um ano de idade — já possuía CPF antes do primeiro aniversário.
Segundo ela, a falência da empresa ocorreu quando tinha cerca de cinco anos. A partir daí, começaram as cobranças judiciais e trabalhistas.
“Começaram a chegar as cobranças, as dívidas, os processos trabalhistas. Oficiais de justiça iam até minha casa me procurar, sendo eu menor de idade”, relata.
Ela conta que, ainda criança, precisou adotar um nome falso para se proteger.
“Eu não entendia o que estava acontecendo, mas sabia que precisava me esconder. Se alguém batia na porta e perguntava meu nome, eu dizia outro. Não lembro qual era, mas sabia que não podia dizer que era Isabella”, afirma.
Dívida de R$ 3 milhões
O caso de Rafaella D’ávila começou aos 16 anos. Segundo ela, a mãe pediu que assinasse um documento para integrar a sociedade da empresa.
“Ela disse que precisava colocar um sócio para abrir a empresa e que eu teria 1%. Falou que era para ajudar a família, que tudo daria certo. Era minha mãe, eu tinha 16 anos. Fui lá e assinei”, conta.
Aos 23 anos, Rafaella descobriu que estava vinculada a 32 dívidas trabalhistas que, juntas, somavam cerca de R$ 3 milhões.
“Descobri com os advogados que minha vida financeira ficaria comprometida. Não poderia ter nome limpo, comprar uma casa ou um carro, porque tudo poderia ser usado para pagar as dívidas. Foi um choque e um trauma muito grande”, relata.


























Comentários